ARTIGOS EMDR
Reportagem sobre o EMDR na Revista Cláudia
Terapias Breves, testadas e comprovadas
Superando o medo
Vítima de Síndrome do Pânico, a médica acupunturista Maria da Graça de Vicco, 50 anos, carioca que mora em São Paulo, fez a terapia da linha do tempo, ela superou o problema em 14 sessões, no período de dois meses.
"Eu estava de bem com a vida e satisfeita profissionalmente quando de repente me deu um espécie de pane. Uma noite, vendo televisão em casa, comecei a transpirar, tive taquicardia violenta e a sensação de morte iminente. Moro sozinha e liguei imediatamente para um colega médico pedindo socorro. Ele me deu um Lexotan, dormi e acordei no dia seguinte como se nada tivesse acontecido, mas as crises foram ficando cada vez mais freqüentes. Por fim, veio o diagnóstico: síndrome do pânico. Pretendia me tratar com remédios quando um especialista em medicina antroposófica me indicou a Terapia da Linha do Tempo, combinada com uma técnica chamada EMDR, com movimentos oculares. Eu não conhecia e resolvi experimentar. A primeira sessão foi uma conversa de apresentação. Na segunda, a terapeuta começou a dar leves toques sincronizados nos meus joelhos e me pediu que eu tentasse visualizar alguma situação traumática do passado. Lembrei de minha mãe me levando ao médico quando eu era pequena. Em seguida, ela aplicou o EMDR - explicou que era uma técnica de estimulação neurológica que permitia aflorar registros negativos guardados na memória. Ela balançava os dedos em frente aos meus olhos e eu devia acompanhar esse movimento. Então, começava a perguntar o que eu estava vendo.
Chorando muito, revi a antiga cena no consultório. Eu tinha 4 anos e estava com uma forte coceira vaginal. Minha mãe, em vez de consultar um pediatra, resolveu me levar ao ginecologista. O cara me botou com as pernas abertas e me examinou como se eu fosse uma mulher. Para mim, foi como um estupro. Mas minha mãe não se deu conta da violência.
Nas sessões seguintes, eu não conseguia sair disso. Começava falando sobre assuntos do presente e, quando a terapeuta fazia o estímulo ocular, só recordava situações que remetiam a minha mãe - que teve que batalhar para me criar sozinha os dois filhos, porque meu pai morreu quando eu tinha 13 anos. Enfim, depois de seis sessões batendo na mesma tecla, vi que o grande trauma de minha vida era ela e a educação que havia me dado. Sentia raiva daquela mulher que me criara nos mais rápidos padrões de sexualidade. Também sentia medo do que ela representava para mim: a figura forte, provedora, a quem eu passei a vida inteira tentando provar do que era capaz. Antes desse tratamento, eu já havia feito nove anos de terapia e nunca enxergava isso com tamanha nitidez.
Depois do contato com o trauma, começou a segunda etapa do trabalho, a ressignificação. Sempre usando os estímulos de toques nos joelhos e nos ombros, mais o movimento ocular, a terapeuta pede que agente repita frases em voz alta. Eu repetia que tinha crescido e não precisava mais ficar presa nesse ponto traumático da relação com minha mãe. Também dizia que a perdoava, pois reconhecia que muita coisa se devia a seus limites.
Os sintomas do pânico sumiram e, lá pela oitava sessão, fui ao Rio de Janeiro visitar minha mãe. Disse a ela tudo que eu sentia, sem medo. Falei do ginecologista, da minha educação... Ela não entendeu nada, mas eu estava entendendo tudo. Então, me deu vontade de remexer numa mala de fotos antigas. Descobri um tesouro: um retrato meu, com 5 anos, sentada no colo do meu pai. Depois de sua morte, eu simplesmente tinha apagado seu rosto da memória. Simbolicamente, esse reencontro foi muito importante: era como se o meu pai estivesse me dando apoio que durante muito tempo busquei apenas na minha mãe.
Na volta dessa viagem,, mandei ampliar a foto e dei de presente a terapeuta com uma dedicatória de agradecimento. Essa sessão foi a mais feliz de todo o processo, eu me sentia mais forte, aliviada. Saí do consultório especialmente emocionada.
Embora as crises de pânico tivessem acabado, passei a ter muita sonolência, dor de barriga e diarréia no final das sessões. Naquele dia em que levei a foto do meu pai, apareceu até um furúnculo. A terapeuta explicou que essas manifestações eram normais e mostravam que eu estava vencendo a ansiedade inicial e relaxando também fisicamente. Minha sensação era de estar expurgando, me limpando dos problemas. Quando encerrei o tratamento, todos os sintomas haviam desaparecido completamente.
Depoimento de uma entrevista sobre EMDR na Revista Cláudia Novembro de 2003
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