ARTIGOS EMDR
O EMDR no livro " O Demônio do Meio-Dia"
A terapia da dessensibilização e reprocessamento do movimento do olho (DRMO) originou-se em 1987 para o tratamento do estresse pós-traumático. A técnica é um pouco kitsch. O terapeuta move a mão em várias velocidades indo do campo de visão periférica do lado direito para o campo de visão periférica do lado esquerdo, estimulando assim um olho e depois o outro. Numa variante desta técnica, a pessoa usa fones de ouvido que alternam sons para estimular um ouvido e depois o outro; ou, numa terceira possibilidade, ela segura pequenos vibradores, um em cada mão, e eles pulsam alternadamente. Enquanto isso está acontecendo, a pessoa passa por um processo psicodinâmico em que relembra e revive sue trauma. NO final da sessão está livre dele. Enquanto muitas terapias - a psicanálise, por exemplo - compreendem belas teorias e resultados limitados, a DRMO tem teorias tolas e excelentes resultados. Médicos que utilizam terapia especulam que ela funciona estimulando o cérebro esquerdo e direito em rápida alternação, assim ajudando a transferir lembranças de um centro de estocagem do cérebro para outro. Isso parece improvável. No entanto, algo sobre o estímulo oscilante da DRMO tem um efeito dramático.
A DRMO está sendo crescentemente usada para a depressão. Já que a técnica envolve a lembrança de traumas. É com freqüência receitada mais como um tratamento para depressão com base em trauma do que para uma depressão mais generalizada. Submeti-me a todos os tipos de técnicas ao longo da pesquisa deste livro, inclusive DRMO. Estava convencido de que era um sistema atraente mas insignificante, e fiquei muitíssimo surpreso com os resultados. Haviam me dito que a técnica "acelera o processo", mas isso não me preparou para a intensidade da experiência. Coloquei fones de ouvido e tentei pensar em minhas lembranças. Fui inundando por imagens incrivelmente poderosas da infância, coisa que eu nem sabia que estavam no meu cérebro. Pude formar uma experiência eletrizante, e o terapeuta de DRMO com quem eu estava trabalhando eficientemente levou-me a todo tipo de esquecidas dificuldades da infância. Não estou certo de que a DRMO tenha afeito imediato numa depressão que não seja desencadeada por um trauma único, mas foi tão estimulante e interessante que continuei a fazê-la por mais de 20 sessões.
David Grand, um terapeuta com formação em psicanálise que agora usa DRMO com todos os pacientes, diz: "A DRMO pode ajudar uma pessoa a fazer em seis ou 12 meses o que ela não conseguiu fazer em cinco anos de tratamento comum. Não estou comparando o abstrato: comparo meu trabalho com a DRMO ao meu trabalho sem ela. A ativação passa por cima do ego e ativa a mente profunda, rápida e diretamente. A DRMO não é uma abordagem, como a abordagem cognitiva ou a psicanalítica: é uma ferramenta. Você não pode ser apenas um terapeuta DRMO genérico. Tem que ser um bom terapeuta primeiro e então descobrir como integrar a DRMO. A estranheza deste método causa afastamento, mas eu tenho aplicado por oito anos, e não poderia voltar a fazer terapia sem DRMO sabendo o que sei agora. Seria uma tremenda volta ao primitivo." Sempre saí do consultório de meu terapeuta de DRMO num turbilhão (positivo); e as coisas que aprendi ficaram comigo e enriqueceram minha mente consciente. É um processo poderoso. Eu o recomendo.
Texto retirado o livro "O demônio do meio-dia" de Andrew Solomon |