ARTIGOS EMDR
Pânico
O transtorno do pânico é um ataque de ansiedade agudo e grave que começa a aparecer de forma recorrente e sem aviso prévio, que não está preso a qualquer situação específica como as fobias. Mas a pessoa que sofre do pânico pode ir fazendo correlação com o elevador, supermercado, cinema, dia chuvoso, dia de festa etc., de acordo com os ataques que já teve nestas situações determinadas. Mas principalmente o primeiro ataque é imprevisível e espontâneo.
Duram em média até 15 min., mas são minutos terríveis com sensação até de morte iminente.
Tem prevalência de 1,5% a 2% da população. Numa proporção de 2:1 mulheres para homens. Acontece mais com adultos jovens, iniciando-se em períodos de intenso stress. Mas pode acometer até crianças em idade escolar.
Tem bases genéticas com possibilidade de 15 a 17% da hereditariedade em parentes de primeiro grau que apresentam um quadro de pânico.
Após o primeiro ataque de pânico, a pessoa desenvolve uma preocupação extrema em estar bem de saúde, preocupação com sintomas físicos, principalmente relativos à morte por problemas cardíacos e respiratórios.
Os sintomas depressivos costumam estar associados em 80% dos casos.
O curso de transtorno do pânico é variável, alguns curam facilmente; outros demoram muito a melhorar. O que já vi na prática clínica, que pacientes mais controladores (gente boa!) e mais detalhistas têm mais dificuldade de se livrarem deste mal.
Mas é possível a cura! E nos casos difíceis, uma melhora enorme!!! Com o uso da medicação correta, não ocorre a síndrome do pânico; o que nos ajuda a trabalhar com esta população. Pois é um mal solucionável, como remédios e orientação psicoterápica a pessoa se livra dos ataques. E com um pouco de paciência se livra do mal, mudando seu controle... aprendendo a controlar o bem estar!
Transtorno de pânico - Um sinal de alerta
Definição
De acordo com DSM-IV, o Transtorno do pânico é uma desordem de ansiedade, caracterizada por ataques de pânico recorrentes e que pelo menos um dos ataques de pânico seja seguido de outro dentro de um mês com uma das características que se seguem:
A - Preocupação persistente sobre ter um outro ataque.
B - Preocupação com as conseqüências de um ataque: medo de perder o controle, ter um ataque do coração, ficar louco.
C - Uma mudança significativa no comportamento relacionado com os ataques.
Pelo DSM-IV um Ataque de pânico se caracteriza um período discreto de medo e desconforto intenso, no qual quatro ou mais dos seguintes sintomas se desenvolvem abruptamente e alcança um pico dentro de 10 minutos.
1. Palpitações, coração pulsando o ritmo cardíaco acelerado
2. Sudorese
3. Tremores
4. Sensação de respiração curta
5. Sensação de desmaio ou choque
6. Dor no peito ou desconforto
7. Náusea ou mal estar intestinal ou dificuldade de engolir.
8. Sensação de tonteira, instabilidade, desmaio.
9. Desrealização (sensação de irrealidade) ou despersonalização (ficar desligado, desconectado de si mesmo).
10. Medo de perder o controle ou ficar louco.
11. Medo de morrer
12. Parestesias
13. Resfriamento ou rubores
Sabemos que um ataque de pânico pode acontecer a qualquer um, um momento estressante da vida e passar. Mas no transtorno do pânico, a pessoa passa a desencadear novos episódios de pânico e conseqüentemente desenvolve o "medo de Ter medo" e muda seu comportamento de vida, restringindo seus hábitos comuns a lugares e pessoas onde se sinta protegido.
A pessoa que sofre de pânico
Tenho visto em minha clínica que estas pessoas têm características comuns.
São pessoas de base ansiosa, por isso classificadas como sofrendo de desordens de ansiedade.
Geralmente de bom caráter, controladoras, exigentes e perfeccionistas. Tendem a fazer uma PRESSÃO muito grande nas coisas naturais da vida. Parece que isto tem correlação com imagos paterna ou materna de exigência dos filhos, o desenvolvimento de uma auto-exigência constante. Pais bravos, exigentes ou autoritários que geram nestes filhos o desenvolvimento de uma auto-exigência constante. Como duplo vínculo dizendo, no não dito; você é incompetente, você não dá conta! O que gera internamente nestas pessoas a necessidade de controle absoluto de tudo que está à sua volta e ao mesmo tempo o sentimento de DESPROTEÇÃO - não sou bom o bastante para me proteger, preciso ficar alerto! O sistema de alarme fica acionado sem descanso, gera o estresse e provoca a desordem de ansiedade!
Assim, vemos as seguintes características:
1. PRESSÃO
2. DESPROTEÇÃO
3. CONTROLE EXAGERADO/ RADAR PARA SINTOMAS FÍSICOS EXACERBADO
4. MEDO ANTECIPATÓRIO
5. NECESSIDADE PARADOXAL de ser "acompanhado" ou protegido por familiar
6. ALTAMENTE IMPRESSIONÁVEL- Vulnerável "aquilo" que pode fazer mal.
Como sabemos, toda doença é o caminho para a solução dos problemas. O transtorno do pânico vem como um sinal de alerta, para que a pessoa PARE! Perceba que ela está acelerada e provocando com suas atitudes um ciclo vicioso: Desproteção, necessidade de alguém protegendo, confirmação da desproteção.
Stephen Gilligan, chama nossa atenção em seu livro "The Courage to Love", que exatamente aquilo que a pessoa faz para livrar-se dos seus sintomas é que a obriga a ficar na doença!
O caminho é entender que a pessoa disparou o alarme. Pare! Refaça sua vida, veja o que pressiona. É diferente de PARALIZE! Pare e Mude!
Este é o nosso trabalho como terapeutas. Buscar com o cliente os novos caminhos...
Existe em muitos casos uma associação de psicopatologias. Podemos ver o transtorno de pânico associado a fobias. A pessoa tem um pânico no elevador ou no supermercado e desenvolve uma fobia de elevador, ou de lugares cheios por exemplo. Uma segunda associação comum, é com a depressão reativa, que também é um quadro de desordem de ansiedade e esgotamento por pressão demais (DE-PRESSÃO).
De acordo com o psiquiatra Daniel Amen, em seu livro; Transforme seu Cérebro Transforme sua Vida, existem regiões específicas do cérebro das diferentes psicopatologias. Graças ao estudo feito com SPECT (Single photon emission computed tomography), que mede o fluxo sanguíneo no cérebro e seus padrões de atividade metabólica, ele pode provar que existem determinadas partes do cérebro que ficam mais ativas, ou mais irrigadas provocando as psicopatologias.
A área do cérebro que sofre alterações no transtorno do pânico são os gânglios basais, que ficam mais irrigados. Esta região cerebral é responsável pela ansiedade e medo. De acordo com Dr. Amen, se você faz hipnose para relaxamento, lugar especial de proteção, respiração, estar áreas cerebrais acalmam sua atividade e a bioquímica do corpo se modifica.
No caso da depressão, a área de aumento de atividade sanguínea é o sistema límbico, responsável pelas emoções. Também neste estudo, através da hipnose, visualizações, o paciente diminui a atividade acelerada desta região.
Podemos assim, comprovadamente utilizar as técnicas hipnóticas para desacelerar o ritmo das atividades cerebrais; conseqüentemente mudar a bioquímica que regula os neurotransmissores, responsáveis pelos ataques de ansiedade e depressão.
Texto extraído do Livro: "Da Ansiedade à Depressão" de Sofia Bauer
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