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METÁFORAS
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Cicatrizes
Era uma vez um menininho que tinha um mau temperamento.
O pai deu-lhe um saco de prego e disse a ele que para
cada vez que o menino perdesse a calma, ele deveria
pregar um prego na cerca.
No primeiro dia, o menino pregou 17.
Nas semanas seguintes, como ele aprendeu a controlar
seu temperamento, o número de pregos pregados na cerca
diminuiu gradativamente...
Ele descobriu que era mais fácil se segurar do que
pregar aqueles pregos na cerca.
Finalmente chegou o dia que o menino não perdeu
a calma em nenhum momento.
Ele então falou a seu pai sobre isto e o pai sugeriu que
o menino agora tirasse da cerca, um prego por cada dia
que ele não perdesse a calma.
Os dias passaram e o menininho, então, estava finalmente pronto
para dizer a seu pai que tinha retirado todos os pregos da cerca.
O pai então o pegou pela mão e foram até a cerca.
O pai disse, "Você fez muito bem, meu filho, mas, veja só
os buracos que restaram na cerca.
A cerca nunca mais será a mesma!
Quando você fala algumas coisas com raiva, elas deixam
cicatrizes como estas aqui.
Você pode enfiar a faca em alguém e retirá-la.
Não importa quantas vezes você peça desculpa,
a ferida ainda esta lá.
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Consertando o Mundo
Um cientista muito preocupado com os problemas do mundo passava dias em seu laboratório, tentando encontrar meios de minorá-los.
Certo dia, seu filho de 7 anos invadiu o seu santuário decidido a ajudá-lo. O cientista, nervoso pela interrupção, tentou fazer o filho brincar em outro lugar. Vendo que seria impossível removê-lo, procurou algo que pudesse distrair a criança. De repente, deparou-se com o mapa do mundo. Estava ali o que procurava. Recortou o mapa em vários pedaços e, junto com um rolo de fita adesiva, entregou ao filho dizendo:
- Você gosta de quebra-cabeça? Então vou lhe dar o mundo para consertar. Aqui está ele todo quebrado. Veja se consegue consertá-lo bem direitinho!
Mas faça tudo sozinho!
Pelos seus cálculos, a criança levaria dias para recompor o mapa. Passadas algumas horas, ouviu o filho chamando-o calmamente.
A princípio, o pai não deu crédito às palavras do filho. Seria impossível na sua idade conseguir recompor um mapa quem jamais havia visto. Relutante, o cientista levantou os olhos de suas anotações, certo de que veria um trabalho digno de uma criança. Para sua surpresa, o mapa estava completo. Todos os pedaços haviam sido colocados nos devidos lugares. Como seria possível?
Como o menino havia sido capaz?
- Você não sabia como era o mundo, meu filho, como conseguiu?
- Pai, eu não sabia como era o mundo, mas quando você tirou o papel da revista para recortar, eu vi que do outro lado havia a figura de um homem. Quando você me deu o mundo para consertar, eu tentei, mas não consegui. Foi aí que me lembrei do homem, virei os recortes e comecei a consertar o homem que eu sabia como era. Quando consegui consertar o homem, virei a folha e vi que havia consertado o mundo!
Autor Desconhecido
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Gotinha no Mar
Havia uma gota em uma nascente do rio. Era uma simples gota, nada mais do que isso. Mas, na sua insignificância, tinha um sonho. Sonhava em, após vencer a correnteza, virar mar. Ora, quanta pretensão! Uma gota, uma simples gota, virar mar? Era difícil, sabia ela, porém não impossível. E agarrando-se a fio de esperança, seguiu o seu curso natural de rio, sempre pensando no dia em que certamente encontraria o oceano. Desafios foram surgindo. Pedras, evaporação, galhos... Mas ela nunca desistia. Outras gotas que partiram com ela não chegaram ao fim, ficaram pelo caminho.
Esta, porém, talvez pela sua PERSISTÊNCIA, pela FÉ que tinha, de uma forma ou de outra sabia que um dia chegaria lá. E de fato chegou. Venceu todos os obstáculos, chegou ao encontro das águas e finalmente realizou seu grande sonho. Hoje aquela gota é mar! Graças a sua PERSISTÊNCIA, conseguiu o que era considerada uma utopia, uma pretensão!
Não importa, hoje aquela gota é mar. Imagine você como uma gotinha. Você pode ser como aquelas gotas que ficaram pelo caminho ou como a gota dessa história. Só depende de você!
Autor Desconhecido
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Não vá pelas aparências
Indicação: Como criar vínculos
Num reino antigo havia um príncipe, filho único do rei, que de repente enlouqueceu. Ele arrancou suas roupas, ficou nu, entrou debaixo da mesa e começou a cocoricar como um galo. Ele pensava que era um galo. O rei ficou desesperado, chamou todos os médicos, mágicos e fazedores de milagre para tentarem curar o príncipe, mas de nada adiantou. O rei começou a aceitar o fato de que seu filho tinha ficado louco para o resto da vida. Um dia, entretanto, um sábio chegou ao palácio e disse que podia curar o príncipe. O rei ficou muito desconfiado porque o homem parecia também um maluco, mais maluco ainda do que o príncipe. O sábio disse: - "Somente eu posso curar seu filho, porque só um louco maior pode curar outro louco. Os seus médicos, mágicos e fazedores de milagres falharam porque eles não conheciam a loucura". O rei achou o argumento lógico e como o caso parecia sem jeito, resolveu experimentar. Assim que o sábio tirou suas roupas, entrou debaixo da mesa com o príncipe e começou a cocoricar como um galo, o príncipe tomou posição de defesa: - "Quem é você? O que pensa que está fazendo"? O homem disse: - "Eu sou um galo, um galo mais experiente do que você. Você é apenas um aprendiz de galo". O príncipe aceitou: - "Se você também é um galo, está bem. Mas você parece um ser humano". - "Não vá pelas aparências", respondeu o sábio, "veja meu espírito, a minha alma. Eu sou um galo tanto quanto você". Os dois ficaram amigos. Prometeram longa amizade e juraram que lutariam juntos contra o mundo. Passaram-se uns dias. O sábio começou a se vestir. O príncipe replicou: - "O que você está fazendo? Você ficou maluco? Um galo usando roupa de gente"! O homem respondeu: - "Estou apenas procurando enganar aqueles tolos seres humanos. Lembre-se de que, mesmo vestido, nada mudou em mim. Sou um galináceo e ninguém pode mudar isso. Só porque estou vestido, você acha que me tornei um ser humano"? O príncipe aceitou a explicação. Dias mais tarde o sábio persuadiu-o de que se vestisse, porque o inverno estava chegando. Um dia, de repente, o sábio pediu comida do palácio. O jovem ficou atento e desconfiado gritando:
- "Que é que você está fazendo? Você vai come como um ser humano qualquer. Nós somos galos e comemos como galos". O homem respondeu calmamente: - "Você pode comer qualquer coisa e aproveitar qualquer coisa. No que se refere ao meu galo, não faz a menor diferença. Você pode viver como um ser humano e continuar sendo um galináceo. Não vá pelas aparências". Dessa maneira, o sábio, aos poucos, foi persuadindo o príncipe a voltar ao mundo da realidade, até que foi considerado normal.
Recolhido por Zélia Nascimento
Contribuição: Cecília Caram
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O amigo
"Meu amigo não voltou do campo de batalha, senhor. Solicito permissão para ir buscá-lo" disse um soldado ao seu tenente. "Permissão negada" replicou o oficial, " Não quero que arrisque a sua vida por um homem que provavelmente está morto". O soldado, ignorando a proibição, saiu e uma hora mais tarde regressou, mortalmente ferido, transportando o cadáver de seu amigo. O oficial estava furioso: "Já tinha te dito que ele estava morto! Agora eu perdi dois homens! Diga-me: Valeu à pena ir lá para trazer um cadáver?" E o soldado moribundo, respondeu: "Claro que sim, senhor! Quando o encontrei, ele ainda estava vivo e pôde me dizer:".
"Tinha certeza de que você viria".
Autor desconhecido
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O cervo e o leão
Indicação: Valorização das Virtudes
Em um belo dia de verão, um cervo chegou até junto a um regato, com muita sede. Quando inclinou a
cabeça, viu na água a própria imagem e exclamou, orgulhoso:
- Oh, como eu sou bonito e que bonitos são meus chifres!
Aproximou-se mais e viu o reflexo das próprias pernas dentro da água:
- Mas como são finas as minhas pernas . . . - observou com tristeza.
Nesse momento surgiu um leão que saltou sobre o cervo.
O cervo disparou pela campina, com tanta velocidade que o leão não pôde pegá-lo. Aí, o cervo entrou
por dentro da floresta e logo os seus chifres se embaraçaram nos galhos das árvores. Em poucos
instantes o leão saltava sobre o prisioneiro.
- Ai de mim! - gemeu o cervo. - Senti orgulho de meus chifres e desprezei minhas pernas . . . no
entanto, estas me salvariam e estes causaram minha perda . . .
Moral da história:
"Muitas vezes desdenhamos daquilo que temos de melhor."
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O devoto
Vivia numa pequena cidade um homem muito devoto a Deus. Sua fé era conhecida em toda região. Um dia houve uma grande enchente e sua casa foi alagada. Ele subiu ao telhado e ficou rezando, aguardando a ajuda de Deus. Seu vizinho percebendo o perigo estendeu-lhe a mão. Ele não aceitou. Disse que aguardaria a ajuda de Deus. Seus amigos vieram de barco socorrê-lo. Ele negou. Veio finalmente o pessoal da defesa civil com um helicóptero para resgatá-lo. Ele também recusou. "Espero a ajuda de Deus", confirmou mais uma vez. A água subiu muito e o devoto morreu. Ao chegar ao céu, furioso foi imediatamente questionar Deus. Disse ele a Deus. "Estava aguardando a Sua ajuda e o Senhor me faltou". Deus então lhe respondeu: "Meu querido filho, eu lhe estendi a mão, mandei um barco, e até um helicóptero para salvá-lo e você não aceitou". Queremos sempre que Deus nos fale através de milagres, mas na maioria das vezes Ele nos fala através dos outros. Precisamos aprender a perceber isto.
Autor desconhecido
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O feiticeiro
Um feiticeiro africano conduz seu aprendiz pela floresta. Embora mais velho, caminha com agilidade, enquanto seu aprendiz escorrega e cai a todo instante.
O aprendiz blasfema, levanta-se, cospe no chão traiçoeiro, e continua a acompanhar seu mestre.
Depois de longa caminhada, chegam a um lugar sagrado. Sem parar, o feiticeiro dá meia volta e começa a viagem de volta.
- Você não me ensinou nada hoje -- diz o aprendiz, levando mais um tombo.
- Ensinei sim, mas você parece que não aprende -- responde o feiticeiro. -- Estou tentando lhe ensinar como se lida com os erros da vida.
- E como lidar com eles?
- Como deveria lidar com seus tombos - responde o feiticeiro. - Em vez de ficar amaldiçoando o lugar onde caiu, devia procurar aquilo que te fez escorregar.
Autor desconhecido
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O homem que teve que cuidar da casa
Indicação: Questionando o papel masculino
Era uma vez um homem muito rabugento e mal-humorado, que nunca achava certo nada que a mulher fizesse em casa. Uma tarde, na época de secar o feno, ele chegou em casa reclamando que o jantar não estava pronto, o bebê estava chorando e a vaca não tinha sido recolhida ao estábulo.
- "Eu trabalho o dia inteiro", ele resmungou. "Você fica só aqui cuidando da casa. Bem que eu queria essa moleza para mim. Eu ia aprontar o jantar na hora, palavra."
- "Amorzinho querido, não fique zangado", disse a mulher. "Amanhã vamos trocar nossos trabalhos. Eu saio com os ceifeiros, corto feno, e você fica aqui, cuidado da casa".
O marido achou que daria certíssimo.
- "É, eu ganho um dia livre", ele disse, "faço todos os seus afazeres em uma hora ou duas e durmo o resto da tarde inteira".
Assim, na manhã seguinte, bem cedo, a mulher pendurou a foice no ombro e partiu com os ceifeiros. O marido ficou incumbido de fazer todo o trabalho doméstico.
Em primeiro lugar, lavou umas roupas e começou a bater a manteiga. Mas depois de bater um pouquinho, lembrou que tinha que pendurar as roupas para secar. Saiu para o quintal e mal tinha acabado de estender suas camisas quando viu o porco correndo para dentro da cozinha.
Voou para a cozinha para tratar do porco, temendo que estragasse a manteiga. Mas logo que entrou, viu o porco derrubando a batedeira. Lá estava ele, grunhindo e chafurdando o creme, que escorria pelo chão da cozinha inteira. O homem ficou tão louco da vida que esqueceu das camisas no varal e partiu para cima do porco.
Conseguiu agarra-lo, ms o porco estava tão lambuzado de manteiga, que lhe escapuliu dos braços e saiu porta afora. O homem correu para o quintal, decidido a pegar o porco de qualquer jeito, mas estacou apavorado quando viu o bode, parado bem debaixo do varal e mascando as camisas. Então o homem espantou o bode, trancou o porco e tirou do varal o que sobrara das camisas.
Em seguida foi à leiteira, pegou creme bastante para encher de novo a batedeira e recomeçou a bater, pois tinham que ter manteiga para o jantar. Quando já tinha batido um pouco, lembrou que a vaca ainda estava fechada no estábulo sem ter comido nem bebido nada a manhã toda; e o sol já estava alto.
Matutando que o pasto ficava muito longe para levar a vaca até lá, decidiu coloca-la em cima da casa, pois o telhado, como se sabe, era coberto de capim. A casa ficava perto de um morro íngreme e ele achou que, estendendo uma tábua larga da lateral do morro até o telhado, levaria facilmente a vaca para cima.
Mas não podia abandonar a batedeira, pois lá vinha o bebê engatinhando pela casa.
- "Se eu deixar a batedeira", ele pensou, "a criança com certeza vai estragar tudo".
Assim, ajeitou a batedeira às costas e saiu carregando-a. Ai, pensou que era melhor dar água à vaca antes de leva-la para o telhado e pegou um balde para tirar água do poço. Porém, quando se debruçou na borda do poço, o creme escorreu para fora da batedeira, por cima dos ombros, pelas costas e caiu todo no poço.
Agora já estava quase na hora do jantar e ele nem ao menos tinha feito a manteiga! Então, logo que colocou a vaca no telhado, achou melhor ferver o mingau. Encheu o caldeirão ed água e pendurou-o sobre o fogo.
Quando acabou, imaginou que a vaca pudesse cair do telhado e quebrar o pescoço. Então subiu na casa para prende-la. Amarrou uma ponta da corda no pescoço da vaca e a outra ele passou pelo buraco da chaminé. Voltou para dentro da casa e amarrou a ponta da corda na cintura. Tinha que se apressar, pois a água começava a ferver no caldeirão e ele ainda tinha que moer a aveia.
Começou a moer bem rápido! Mas quando estava bem empenhado., a vaca acabou caindo do telhado e na queda arrastou o homem pela chaminé, suspenso pela corda! Ele ficou entalado, bem apertado. E a vaca ficou balançando ao lado da casa, entre o céu e a terra, sem conseguir nem subir nem descer.
Enquanto isso a mulher lá no campo, estava esperando o marido chamá-la para jantar. Por fim, achou que já tinha esperado demais e foi para casa.
Quando chegou e viu a vaca pendurada tão insolitamente, correu para cima e cortou a corda com a foice. Mas logo que cortou, o marido despencou da chaminé!
- "Que bom que você voltou", disse, depois que ela o pescou. "Preciso lhe dizer uma coisa".
Então ele pediu desculpas, beijou-a e nunca mais reclamou de nada.
Lenda escandinava cotada em "O Livro das Virtudes". Uma antologia de Wiliam J. Bennett
Contribuição: Cecília Caram
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O judeu e a vaca
Indicação: Piorando para melhorar
Todos os dias, da manhã até o cair da noite, Jacob Simen não fazia outra coisa senão maldizer a sorte ingrata. Blasfemava contra o destino que o forçava a viver naquela insuportável e torturante penúria. A casa em que morava era pequena, incômoda e sem conforto: não dispunha senão de dois quartos para os pequenos e de uma sala minúscula com duas janelas, onde mal podia receber, nos dias de festa, meia dúzia de amigos e vizinhos.
A paciente Sorele não concordava com as queixas e revoltas do marido. A vida para eles não era, por certo, invejável. Lá isso não era! Podia, porém, ser pior, muito pior...
- "Pior do que isso, mulher, nunca"!, clamava Jacob, arrepelando-se, irritado.
- "Repara na apertura e no desconforto em que vivemos! Não cabemos nesta casa e não vejo como nem quando será possível arranjar outra melhor".
Um dia, afinal, a cidade foi visitada por um sábio famoso que o povo apelidara Baal Schem.
Sorele sugeriu, cheia de confiança, ao esposo:
- "Por que não vais ouvir o velho Baal Schem? Dizem que ele tem feito espantosos milagres. Possivelmente poderá auxiliar-nos".
Tal lembrança parecia traduzir uma providência fácil, acertada e feliz. Nesse mesmo dia, Jacob Simon foi ter à presença do santo rabi e desafiou o rosário interminável de suas queixas e misérias: que vivia num casebre triste e miserável e seu maior sonho era possuir uma casa ampla e espaçosa.
- "Meu filho", ponderou o sábio, cheio de paciência e bondade, "posso, realmente, com a valiosa proteção dos guias invisíveis, realizar prodigioso milagre em teu benefício. Serei capaz de transformar a tua casa, pobre e acanhada, em um lugar amplo, claro e confortável. Para tanto torna-se indispensável que pronuncies, agora mesmo, um juramento: vais ter que jurar, pelo nome sagrado de Moisés, e pela memória de todos os profetas, que seguirás fielmente todas as minhas determinações".
- "Juro"!, declarou Jacob com voz firme e inabalável sinceridade.
- "Muito bem. Agora uma pergunta: Tens uma vaca, não é verdade"?
- "Sim, com efeito. Tenho uma vaca".
- "Leva, então, hoje mesmo, a vaca pra dentro da tua casa"!
- "A vaca para dentro de casa"!?
- "Senhor! Na casa em que moro mal cabem os meus filhos. Onde colocarei a vaca"?
- "Lembra-te, amigo, de teu juramento! Põe a vaca dentro de casa".
Não houve remédio. Era preciso obedecer cegamente ao milagroso conselheiro. Aquela vaca, sob o teto de seu lar representava uma tortura constante. O monstruoso animal quebrava, destruía e sujava tudo. Para que os vizinhos não envolvessem o caso com os impiedosos comentários ditados pelo ridículo, a delicada Solere conservava as janelas e portas cuidadosamente fechadas durante o dia.
Decorridos três dias, voltou Jacob, a alma vencida pelo desespero, à presença do Baal Schem.
Era preciso pôr termo, o mais depressa possível, àquela situação torturante!
- "Tens uma cabra"? indagou o sacerdote, à meia voz.
- "Sim".
- "Leva também a cabra para dentro de tua casa"! ordenou, sem hesitar, o prudente rabi.
A nova determinação do milagroso guia deixou Jacob sucumbido pelo desalento. A vaca, por si só, tornava a vida, dentro da casa, insuportável. A cabra e a vaca, juntas seriam uma calamidade! Que horror!
Antes de terminar a primeira semana, Jacob receando que o desespero o levasse à loucura, voltou a implorar o auxílio do santo e virtuoso conselheiro. Sentia-se esgotado; na sua casa não havia mais sossego; as crianças sofriam. Ele preferia morrer a continuar a viver daquela maneira miserável e anti-humana.
Disse, então, o santo milagroso:
- "Retira, então hoje a cabra. Amanhã, logo que o sol nascer, farás a mesma coisa com a vaca. Procederás, a seguir, a uma cuidadosa limpeza em tua casa, arrumando os móveis como se achavam. Ao cair da tarde irei visitar-te para ver realizado o milagre"!
No dia seguinte, o sábio encontrou o judeu risonho e satisfeito. Sentia-se perfeitamente feliz em companhia da meiga Solere e de seus quatro filhos.
- "Que tal"?, indagou Baal Schem.
- "Eis a verdade, ó Rabi! Livre da vaca e livre também da cabra, a nossa casa é uma delícia! Sinto-me bem dentro dela. Já podemos respirar e viver! Há até lugar de sobra para as crianças"!
Estava feito o prodigioso milagre.
Baal Schem transformara, numa casa ampla e confortável, o mísero casebre do judeu!
Conto israelita citado em "Lendas do povo de Deus", de Malba Tahan. Ed. Conquista, RJ, 1951.
Contribuição: Maria Inês Parreira Stutz.
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