HIPNOSE

- Doenças Psicossomáticas
- O Mágico de Oz
- Metáforas
- Psicoterapia e Hipnose
- Transtornos Dissociativos


Doenças Psicossomáticas
A proposta da hipnoterapia é trazer o material recalcado e ressignificá-lo.

A doença é aquela verdade que a pessoa esconde de si mesmo.
Os sintomas são saídas que o inconsciente encontra para expressar aquilo que a pessoa não consegue falar. (A Doença como Caminho). Exemplos:

-> Primeiro relato: febre do rei da Macedônia;
-> Crianças com medo desenvolvem uma dor de barriga;
-> Uma mulher machucada que desenvolve doença no ventre: cistos, miomas, câncer;
-> Jovens "bonzinhos" desenvolvem  vitiligo ou psoríase como forma de esconder algo decepcionante aos olhos dos pais ("precisam de outro corpo").

Na hipnoterapia com sintomas psicossomáticos trabalhamos  a linguagem do sintoma levando a uma leitura e, ressignificando o que levou o paciente a desenvolver a doença. Em transe, damos sugestões tais como:
-> O que o sintoma te impede?
-> Uma pessoa doente se desconecta da emoção. O que está desconectado em você nesse momento?
-> Os órgãos são metáforas. Que órgão está afetado pela doença?
-> Enxaqueca - raiva que sobe à cabeça;
-> Anorexia - me deixe magra, não quero ter bebês; medo de crescer
-> Artrite - pare, desacelere.

O que sua doença ou órgão está dizendo à você?

Qual é a metáfora? Ou pode ser pedido um símbolo ou forma.

Depois, pedimos uma cor, principalmente se o quadro for de dor , vamos trabalhando e pedindo os recursos para desmancharmos a teia formada pela doença....

O próprio paciente vai dando inconscientemente os "recursos" ou remédios para sua cura.

topo


O Mágico de Oz
Uma visão Ericksoniana sobre o uso de drogas

Apresentado no IX Congresso Pan-Americano de Hipnose e Medicina Psicossomática
Rio de Janeiro
Agosto de 2003.

Como foi a idéia de utilizar a história do Mágico de OZ no trabalho com as drogas?

Ao trabalhar com os jovens entre as idades de 12 a 21 anos, fui percebendo o quanto muitos se envolviam com drogas e pude perceber o quanto me era útil explorar a história do mágico de Oz, cujos personagens passam por situações semelhantes às enfrentadas pelos adolescentes quando eles entram no mundo das drogas. A personagem principal Dorothy abandona a sua casa (um lugar cinzento e chato) e encontra um mundo colorido (as drogas), onde o adolescente então se vê experimentando outras drogas para manter sua vida longe de casa.

Dorothy então retrata o adolescente que entra nas drogas?

Sim, mas os outros personagens também:

-O espantalho não tem cérebro: representa a primeira coisa que um usuário perde, o raciocínio e a vontade própria.
-O homem de lata não tem coração: este é o segundo estágio do drogadicto: ele perde a auto-estima, fica confuso, não sabe mais quem é ele, fica agressivo
-O leão não tem coragem: lutar ou fugir da droga. É o ponto em que ele chega muitas vezes ao consultório à procura de tratamento

E o cenário também está envolvido. Na hora que eles passam pelo Vale das Papoulas é a fase de recaída do jovem:  ele passa pelo vale da papoula, que é uma crise forte depois de um período de abstinência, onde ele ou volta a se drogar por uma noite ou toma um porre... mas deixa a família louca).Muitas vezes são os traficantes tentando evitar que o jovem deixe o vício.

Trata-se da utilização de metáforas?

Nessa estória de Frank Baum, temos uma bela metáfora da vida daquele jovem que se sente incompreendido, que sente que sua casa é cinza e sombria, mas ao se envolver com o mundo das drogas percebe que o bem mais precioso está justamente em casa, na família e esse foi o desejo maior de Dorothy. Esse era o olhar de Erickson, todos os pacientes possuem os recursos para solucionar seus problemas.

topo


Metáforas
O uso da metáfora é observado no decorrer da história dos homens. Os homens da caverna deixavam seus escritos por símbolos e desenhos que metaforicamente representavam sua linguagem.

A metáfora é uma linguagem que perdura na história do homem como a linguagem mais próxima do inconsciente. Muitas vezes, você não encontra palavras para se expressar, e se comunica metaforicamente. Até na bíblia encontramos as parábolas. "Pensar em imagens está mais próximo do inconsciente do que pensar em palavras". Freud

Aristóteles:
"A metáfora consiste em dar à coisa um nome que pertence a outra coisa qualquer, a transferência pode ser feita em gênero e espécie para espécie ou como analogia".

Os poetas falam metaforicamente dos sentimentos humanos. E cada um de nós é um pouco poeta ao descrever seus próprios sentimentos. Ou ainda a Iracema a "Virgem dos lábios de mel"
"Meta" em grego significa "além" (above) e "phorein" significa "transporta de um lugar para outro"

Dicionário Aurélio para Analogia:
"Ponto de semelhança entre coisas diferentes. Semelhança, similitude, parecença."

Psicoterapia familiar e metáforas
Exemplos : o pai como a caixa forte, a mãe como uma rainha, o filho como bobo da corte, a filha  como a gata borralheira, etc...

Hipnoterapia Ericksoniana
Milton H. Erickson foi habilíssimo no uso de histórias e metáforas em terapia para aumentar a efetividade das psicoterapias breves. Além da idéia da Meta-Mensagem, uma mensagem embutida sutilmente dentro do conteúdo das histórias, faria com que o paciente pensasse em seus próprios recursos.

De acordo com S. Gilligan:
Quando falamos em metáforas estamos usando uma linguagem figurada onde há generalidade sobre determinados assuntos. Cada um dos exemplos metafóricos usados como generalidade constitui um modo comum e indireto de sugerir uma busca experiencial através da memória, relacionada a uma pessoa em particular, um lugar, um acontecimento, um objeto ou um processo.

Outra boa dica é usar músicas ou filmes. E para você aprender sobre como construir metáforas assista "O Carteiro e o Poeta".

Vamos às regras:
- Seja criativo, mude de acordo com a pessoa
- Inclua detalhes que tenham a ver com a pessoa. Por exemplo: Valores categóricos.
- Palavras da pessoa: justamente; não é por aí, etc...
- Ponha emoção em sua fala ao colocar os valores de seu paciente em evidencia na metáfora
- Utilize as palavras do seu paciente principalmente as palavras metafóricas

MODELO DE TRATAMENTO
1 - Identificar os recursos latentes do paciente
2 - Diagnosticar os valores do paciente, isto é, do que ele mais gosta ou não gosta (mas que também podem ser usados como recursos)
3 - Desenvolver tais recursos utilizando os valores do próprio paciente. O grande sucesso que Erickson obtinha com suas sugestões era devido à sua acuidade perceptiva, à sua atenção voltada para os pequenos detalhes e, especialmente, pela utilização dos valores do paciente.
4 - Vincular o recurso desenvolvido ao problema, tanto direta como indiretamente
5 - O quarto passo é melhor concretizado quando se age em pequenos passos, conseguindo a confiança do paciente, estabelecendo rapport, criando motivação e controlando a responsividade ao longo do processo.
6 - Qualquer comportamento, qualquer manifestação, qualquer resistência devem ser aceitos e pode, ser utilizados como ferramenta terapêutica.
7 - O drama pode ser utilizado para melhorar a responsividade às diretivas.
8 - Semear as idéias antes de representá-las gera comportamento.

topo


Psicoterapia e Hipnose

-> Toda psicoterapia se orienta por idéias de como a vida funciona.
-> Efeitos traumáticos das batalhas intrapsíquicas e interpessoais:
-> Desespero;
-> Depressões;
-> Vícios;
-> Ansiedades ininterruptas;
-> Violências em geral;
-> Etc...

O amor está cada vez mais ausente, e o medo mais dominante.
Nós, psicoterapeutas tentamos reacender o amor, convidar a aceitação e encorajar o renascer.

Amor - habilidade que leva à mudança na consciência e no relacionamento.
O amor tem muitos caminhos, um deles é a hipnose.
A hipnoterapia é um ato de amor (Sofia Bauer).
A maior parte das terapias tem sua origem na hipnose:
-> Psicanálise;
-> Escola Psicodinâmica;
-> Teorias de Aprendizagem (Pavlov).

As respostas condicionadas - nossas "velhas conhecidas":

-> Uma música sugere felicidade, dança ou tristeza;
-> Um dia chuvoso provoca um estado depressivo;
-> Tomar café causa vontade de fumar;
-> Certo lugar ou evento causa tensão;
-> Ver tv pode causar vontade de comer;
-> Assistir a um filme dá vontade de comer pipoca, etc...

Estamos sendo sugestionados todo o tempo (positiva e negativamente), influenciando nosso sentir, agir, qualidade de vida, auto-estima e nosso sistema de crenças.

Recebemos sugestões desde que nascemos.

Pai para filho de 7 anos:  
Temo que você nunca será bom em matemática.
O filho cresce dizendo:
A matemática é algo impossível para mim, sempre foi.

Uma mulher com uma experiência negativa (traição) no início de sua vida amorosa, vai sempre repetir:
Os homens não prestam!

As sugestões mais eficazes vêm, na maioria das vezes, de pessoas que exercem alguma autoridade sobre nós: pais, professores, médicos e outros.

O transe hipnótico também é uma manifestação diária, principalmente antes de acordar e ao dormir.  Consciente ou inconscientemente o homem entrou em transe muito antes que tivesse ciente desse estado.

Um pescador sentado em seu barco por várias horas pode sentir que a luz está dançando e o balanço da água pode levá-lo a um estado hipnótico e ele perder a noção do tempo.

Lembranças intrusivas (flashbacks) enquanto o professor fala de forma monótona, sem parar. Olhos ficam pesados, quase cochilo.

Uma cobra hipnotiza um pássaro. O flautista hipnotiza a cobra com a música e o balanço da flauta.

Outras "sugestões" - não verbais - que recebemos: bocejar, olhar para cima, etc.

Hipnose: "A aceitação incondicional de uma sugestão por um paciente em transe." (Leslie LeCron).

Hipnose: semelhante a sono induzido, ou auto-induzido que distrai a mente consciente e aumenta a sugestionabilidade e o estado de atenção que possibilita o acesso à mente inconsciente.

O termo "hipnose" - extraído do deus grego do sono "Hypnos" -  por James Braid em 1843.

Hipnotismo - 2 mil anos - gregos e egípcios usavam no tratamento de doenças.

Sociedades primitivas usavam o tom do ritmo dos tambores e das danças ritualísticas para induzir um estado de transe.

Na Bíblia encontramos referência a possível uso de métodos hipnóticos: indivíduos sensíveis e sugestionáveis, ávidos na busca de um toque de uma figura sagrada - induzidos em segundos.

O "toque real" ou "cura divina" da Idade Média era uma forma de hipnose.

A fusão da hipnose com a Psicanálise foi um dos mais importantes avanços médicos decorrentes da I e II Guerras Mundiais. Atualmente, várias universidades nos EUA e Europa estão ensinando hipnose.

No Brasil, os primeiros trabalhos foram publicados em 1888 - tese defendida por Francisco de Paulo Fajardo - Tratado de Hipnotismo.

Dr. Alcântara Machado, apresentou tese de doutorado em 1895: ensaio médico legal sobre hipnotismo, que passou a se incluída no artigo 269 do Código Penal Brasileiro.

Tiradentes usava a hipno-anestesia - foi um dos primeiros hipnotistas brasileiros.

A hipnose é constituída de três fatores: motivação, relaxamento e sugestão.

Nossa abordagem hipnoterápica se dá em  processo com três etapas:

1) Período de preparação: terapeuta explora o repertórios das experiências de vida do paciente, o que facilita a criação de padrões de referência para orientá-lo na direção da transformação terapêutica.

2) Ativação e utilização das habilidades mentais próprias do paciente durante o período de transe terapêutico.

3) Reconhecimento, avaliação e ratificação da transformação terapêutica.

O transe terapêutico é um período no qual as limitações dos padrões de referência da pessoa alteram-se, temporariamente, para que ela possa ser receptiva a modalidades mais adequadas de funcionamento.

topo

Transtornos Dissociativos

O QUE SÃO TRANSTORNOS DISSOCIATIVOS?

São presumivelmente psicogênicos em origem, estando intimamente associados no tempo a eventos traumáticos.

QUAIS SÃO AS CARACTERÍSTICAS DE UMA PESSOA QUE POSSIVELMENTE SOFRE DE TRANSTORNO DISSOCIATIVO?

> brancos de memória
> dores de cabeça constante
> amnésia de algum período da vida (coincide com período do trauma)
> mudança de personalidade - mais de uma personalidade (João / Joãozinho / João Fortão)
> irritabilidade / perda de controle / mudança de humor
> estado depressivo
> pode ter comorbidade com pânico, fobias, alcoolismo e depressão
> desajuste social

História de anos de psicoterapia com pouco progresso:
-clientes com muitos diagnósticos diferentes ao longo dos anos
-muitas internações psiquiátricas com diagnósticos diferentes
-uma vez que o diagnóstico é feito (MPD ou DDNOS), existe geralmente um bom prognóstico de recuperação.
-Tratamento de longa duração (geralmente em média de 6 a 9 anos de terapia tradicional)
-Lapsos de memória:
-exemplos: "como cheguei a esta loja?"; descoberta de objetos não familiares em casa; falta de concatenação na narrativa da história de vida.
-Pode haver abuso de substâncias, doenças, depressão/demência.

TODA PESSOA QUE SOFRE DE TRANSTORNO PASSOU POR UM TRAUMA?

É comum em traumatizados de guerra, catástrofes, estupros, espancamentos na infância, período de privação de comida etc. É diferente do stress pós-traumático que geralmente acomete adultos. Aqui falamos de eventos que aconteceram na infância e adolescência e que deixaram congelados, uma criança interior, que tem medos, não confia em cuidadores, se torna deprimida, desajustada.

COMO TRATAR?

A base do tratamento é : CUIDAR DA CRIANÇA MACHUCADA QUE É UMA PARTE DISSOCIADA DA MENTE.

Muitos casos que nos chegam parecendo ser depressão, e que vêm acompanhados de fobia e/ou pânico e com histórico de abusos (sexual, palavras, fome etc) na infância, fique atento! Pode ser um quadro de distúrbio dissociativo.
São os piores casos de tratamento. Como foram abusados por seus cuidadores (pais/pessoas mais velhas), têm receio de cuidadores (profissionais da saúde). Assim, se tornam rudes e difíceis no trato; sempre mais céticos quanto as intenções de quem está cuidando. Como se a sua criança machucada e abusada ainda estivesse dizendo "fique longe, é perigoso!"
Esta é a base do tratamento: CUIDAR DA CRIANÇA MACHUCADA QUE É UMA PARTE DISSOCIADA DA MENTE.

Parece que a partir do trauma, quando o stress é maior do que a criança pode suportar, o próprio trauma congela a pessoa, congelando a parte infantil.
Já no caso do adulto quando ele entra no estado congelado de stress ele fica preso para o resto da sua vida, porém uma outra parte dele fica antenada a qualquer coisa que sirva de gatilho disparador.

Como tratamento indicamos: EMDR, onde utilizamos uma técnica específica de estados de ego. Que parte é o João, que parte é o Joãozinho e o João Fortão e vamos estimulando e depois integramos o indivíduo num só, outra técnica importante da psicoterapia que é muito usada nas desordens dissociativas é o trabalho conhecido a Magia dos Nossos Disfarces.
Quero lembrar também a importância de alguns medicamentos em alguns casos. Mas como base do tratamento é "Cuidar da criança machucada"

Remédios e Psicoterapia são indicados, caso a caso.

topo